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Da cabeça aos pés: entenda por que o exercício é bom para o corpo todo

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Saúde, disposição, prazer, disciplina, qualidade de vida —tudo isso você conquista fazendo exercícios físicos. No começo, estabelecer uma rotina e conseguir mantê-la é difícil, mas com o passar do tempo e o surgimento dos benefícios, tudo tende a ficar mais fácil.

Os exercícios podem começar ainda na primeira infância e seguir por todos os ciclos da vida, desde que a pessoa esteja bem de saúde e seja acompanhado por um profissional de educação física. Mas, sim, quanto mais cedo se começa, melhor.

“Alguns desses benefícios são a diminuição do risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças do coração”, comenta Ana Paula Simões, ortopedista, médica do esporte e presidente da Spamde (Sociedade Paulista de Medicina Desportiva).

O exercício físico aeróbico ajuda, inclusive, no tratamento da dor crônica, como mostrou um estudo publicado em agosto de 2021.

Quais partes do corpo mais se beneficiam?- A partir do momento que ocorre ativação da circulação por meio dos exercícios físicos, o corpo se beneficia como um todo: melhora o fluxo sanguíneo, a capacidade de eliminar toxinas, acelera o metabolismo e a produção de substâncias de bem-estar. Em outras palavras: a pessoa que faz atividade física melhora o condicionamento físico. A explicação é de Edmo Atique Gabriel, cardiologista e colunista de VivaBem.

Para entender melhor como ocorre essa melhora, separamos alguns benefícios específicos.

Coração: com o aumento da frequência cardíaca durante o exercício físico, o coração aumenta sua capacidade cardiorrespiratória, tornando-se mais resistente e assim diminuindo o risco de doenças.

Além disso, o rendimento no dia a dia em termos de disposição, energia, atividade laboral e profissional, é muito mais produtivo. “E, paralelamente, melhorando toda a atividade do coração, os outros órgãos vão receber um bombeamento muito mais eficaz”, comenta o cardiologista.

Pulmão: o exercício leva a um aumento da rede de pequenos vasos que irrigam os alvéolos pulmonares, melhorando o aproveitamento de oxigênio pelo pulmão. Assim, a respiração fica mais eficiente.

Músculos e ossos: atividades resistidas, como a musculação, ajudam no fortalecimento da musculatura e, consequentemente, na sustentação dos ossos. Elas também aumentam a lubrificação das cartilagens, melhoram o desempenho das articulações e reduzem as dores em geral.

Já atividades aeróbicas de impacto, como a corrida, ajudam na saúde óssea estimulando as células que formam os ossos a trabalhar e fazer uma espécie de reserva —prevenindo a osteoporose e outras doenças relacionadas.

Sistema imunológico: exercícios ativam as células de defesa e estimulam a produção de substâncias anti-inflamatórias com ação antioxidante, o que melhora o funcionamento das células do sistema. Dessa forma, ele fica mais forte para enfrentar doenças.

Fígado: exercícios estimulam o metabolismo do fígado a reduzir os níveis de triglicérides e colesterol ruim (LDL) e aumentar os níveis de colesterol bom (HDL), além de atuar na prevenção de depósitos de gordura no órgão e até reduzir ou reverter um quadro já existente.

Rins: a rotina impulsiona o consumo de água, o que melhora automaticamente o funcionamento renal. Segundo a Diretriz de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica, realizar exercícios físicos é essencial inclusive para quem sofre com doenças relacionadas, assim como para quem faz hemodiálise.

Controle de peso: exercícios aceleram o metabolismo e queimam calorias, por isso ajudam a manter o peso saudável e a diminuir o risco de doenças como obesidade e diabetes.

E os braços e pernas?

Os exercícios que enrijecem e tonificam a musculatura dos membros superiores (braços) são muito importantes na execução de tarefas básicas do dia a dia como levantar uma caixa ou carregar objetos pesados.

Há ainda um aumento da densidade óssea dos membros, tornando-os mais resistentes a lesões musculares e ósseas; além de ajudar na prevenção de tendinites, bursites e outros problemas que podem surgir com o envelhecimento.

No entanto, os maiores grupos musculares estão nas pernas, então, um bom treino de membros inferiores auxilia na aceleração do metabolismo e no aumento do gasto calórico.

O fortalecimento das pernas que engloba quadris, glúteos e pés também é essencial na execução de atividades como caminhar, sentar, levantar e agachar. Os exercícios ainda reduzem os riscos de lesões, melhoram a postura e podem diminuir as dores nas costas.

E tem mais: o treino de pernas melhora a circulação, principalmente, o retorno do sangue venoso, que é o sangue que volta pelas veias para o coração.

Pescoço, abdome e costas: exercícios fortalecem músculos e ossos e criam uma espécie de “armadura”, assim, essas partes do corpo tendem a levar o indivíduo a ter uma postura e equilíbrio melhores, e menos dores.

“Além disso, a prática regular da atividade física traz benefícios para a mente, como melhora do humor; aumento da concentração; redução do estresse e da depressão; melhora do sono”, complementa a presidente da Spamde.

Atividades precisam ser de alta intensidade?

Não é bem assim. Os exercícios de baixa intensidade, como uma simples caminhada, também são saudáveis e tiram muitas pessoas do sedentarismo.

No entanto, eles devem ser feitos de acordo com o objetivo. E tem para todos os gostos, inclusive para portadores de doenças crônicas.

Simões explica que atividades de moderadas a intensas como corrida, ciclismo, musculação com peso e diversas modalidades esportivas —especialmente orientadas por profissionais—, funcionam de forma mais eficiente para aumentar o gasto calórico, melhorar o condicionamento e até para que haja evolução de performance.

Tenho que me exercitar sempre?

Pouco é sempre melhor do que nada. “Mas para que os benefícios sejam mais eficientes e duradouros —e para que haja ganho de performance—, é fundamental ter regularidade”, ressalta Simões.

E sabe aquele “atleta” de final de semana? Então, isso não é recomendado, como explica Patrícia Lima, endocrinologista do HU-UFMA (Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão), vinculado à Rede Ebserh.

“Exercícios feitos de maneira esporádica podem ser perigosos. Quando você não está condicionado aumenta o risco de lesões, porque não há preparação física.”

A OMS recomenda que adultos façam de 150 a 300 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 a 150 minutos de atividade física intensa por semana, quando não houver contraindicação.

A entidade ainda difere exercício de atividade física, embora pareçam a mesma coisa. Exercício físico é uma prática programada, com movimentos sequenciais que buscam um objetivo específico.

Nunca é tarde para começar

Se você nunca fez exercício físico e está em dúvida se deve ou não começar: vá em frente! Sempre haverá benefícios para a saúde como um todo, independentemente da idade.

“Se a pessoa associar a atividade física a uma dieta adequada, ela vai conseguir diminuir, muitas vezes, a necessidade do remédio, a dose, a quantidade, ou seja, você diminuindo o remédio e atribuindo ao exercício físico a responsabilidade de ajudar no controle da pressão, do batimento e da disposição física, você tem menos efeitos colaterais próprios de qualquer medicação”, explica o colunista do VivaBem.

Exercício é remédio

Essa reportagem faz parte da campanha de VivaBem Exercício É Remédio, que quer ressaltar a importância da atividade física para a saúde e dar dicas e ideias para combater o sedentarismo.

Publicado em 31 de agosto de 2021 em VivaBem Uol. Reprodução

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