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Ressaca após comer demais existe; veja o que fazer no dia seguinte

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Pode ter sido em alguma comemoração especial ou apenas em um fim de semana, mas é provável que você já tenha exagerado na quantidade de comida que colocou no prato. No dia seguinte, o organismo começou a dar sinais de que o excesso foi prejudicial, como uma ressaca após uma noite de bebedeira.

Normalmente, a pessoa que comeu demais sente moleza, fadiga, indigestão e falta de apetite. “Podem surgir sintomas como dor de cabeça, mal-estar, enjoos e náuseas após o consumo excessivo de alimentos, principalmente os gordurosos”, destaca Rita de Cássia Bertolo, nutricionista e conselheira do CRN-3 (Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região – SP/MS).

Para Cleyde Carvalho, nutricionista do HU-UFPI (Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí), da Rede Ebserh, também são comuns os gases em excesso, ter diarreia ou constipação. “Outro sintoma frequente é sentir a boca seca ou amarga no dia seguinte. O organismo precisa de mais água para conseguir metabolizar todos esses alimentos e há sinais de desidratação”, afirma.

Vale destacar que o processo de digestão é bastante complexo. Quanto maior a quantidade de proteínas e gorduras, mais demorada será a digestão —principalmente se for ingerida em pouco tempo.

Muito além do peso
Não é novidade que comer em excesso leva a um ganho de peso indesejado. Quando comemos mais do que necessitamos, o corpo armazena essas calorias adicionais como gordura. Mas, além do risco de engordar, exagerar na dieta também pode provocar alterações em todo o organismo.

“Depois de comer muito, é comum um aumento da circulação intestinal e uma diminuição de sangue em outros órgãos. Além disso, o cérebro não registra a quantidade de comida ingerida, já que o estômago é amplamente elástico. O metabolismo inteiro é alterado”, explica Henrique Perobelli, gastroenterologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Basicamente, assim que a pessoa ingere uma grande quantidade de comida, os órgãos ficam sobrecarregados. O primeiro a sentir essa mudança é o estômago. Comer em excesso faz com ele se expanda mais para suportar os alimentos. Essa alteração, que parece simples, já causa um desconforto e mexe com pâncreas e fígado, que precisam trabalhar mais para produzir hormônios e enzimas que atuam na quebra dos alimentos.

Além disso, para conseguir digerir os alimentos, o estômago produz mais ácidos. Em excesso, eles podem voltar para o esôfago, causando a famosa azia. O metabolismo também precisa acelerar enquanto tenta queimar as calorias excedentes. Por isso, a pessoa pode sentir uma sensação de calor, apresentar suor em excesso e até tontura.

Aconteceu, e agora?
Antes de tudo, não se culpe por comer demais, mas é importante que isso seja um evento isolado e não se torne uma rotina alimentar. Vale a pena também prestar mais atenção na hora das refeições e aos sinais de saciedade.

“Mesmo sendo apenas um dia da semana, consumir de forma volumosa já causa problemas, pois geralmente esses excessos envolvem muitas gorduras, açúcar e carboidratos. A recomendação é voltar à alimentação equilibrada o quanto antes”, afirma Carvalho.

No dia seguinte, se puder, o ideal é se mexer um pouco para estimular a digestão: vale fazer uma caminhada pelo bairro, por exemplo. É importante também se manter hidratado durante o dia com água e sucos naturais. “Caso o desconforto gástrico, mal-estar geral e dor de cabeça sejam muito intensos, a pessoa deve procurar um médico para usar medicamentos que controlem os sintomas”, diz Bertolo.

Veja, a seguir, algumas dicas do que fazer ou evitar após o excesso alimentar:

É importante ficar em repouso, se for possível;
Opte por uma dieta mais leve, rica em fibras e reduzida em carboidratos e proteínas;
Consuma mais alimentos como verduras, legumes, frutas, cereais, leite, ovos e carnes magras até que os sintomas sejam minimizados;
Prefira refeições fracionadas e em menores quantidades para facilitar a digestão;
Coma devagar para o cérebro assimilar que está recebendo alimentos. Leve pelo menos 20 minutos durante as refeições e se alimente com atenção total, sem distrações como TV ou celular.
Quando vira rotina
De vez em quando, é comum meter o “pé na jaca” e comer como se não houvesse amanhã. O problema é que, se essa situação se repetir por muitas vezes, o organismo não tem tempo para se recuperar. Dessa forma, podem surgir problemas de saúde mais sérios, que vão além de um leve desconforto.

A seguir, veja quais são as consequências de comer demais sempre.

Altera a sensação de saciedade

Consumir alimentos em grandes quantidades altera o funcionamento dos hormônios que controlam a saciedade e a fome. A pessoa passa a sentir dificuldade de identificar quando precisa realmente de comida ou está ingerindo algo apenas por prazer.

Aumenta o risco de síndrome metabólica

O ato de comer demais e com frequência provoca obesidade e resistência à insulina. Essas condições favorecem o surgimento da síndrome metabólica, que envolve quadros como hipertensão, colesterol elevado e alterações na glicose. Por isso, também aumenta a mortalidade devido ao risco das doenças cardiovasculares.

Atrapalha o sono

Depois de comer demais, é comum ficar mais lento ou sonolento. Isso acontece porque o açúcar no sangue cai bastante logo após uma grande refeição. O relógio circadiano, responsável pelos ciclos do sono, é alterado e pode ser difícil dormir bem durante a noite.

A má digestão também costuma causar insônia. E quem vai dormir logo após se alimentar aumenta o risco de ter refluxo e sintomas como azia e tosse.

Prejudica o sistema digestivo

Ao chegar ao estômago, os alimentos precisam ser digeridos. As enzimas digestivas, responsáveis pela quebra dos alimentos, estão disponíveis em uma quantidade limitada. Dessa forma, quanto mais alimentos o órgão receber, mais tempo a digestão leva. Essa situação aumenta o risco de transformar o alimento em gordura e no aparecimento de desconfortos estomacais.

Será que é compulsão alimentar?
Há ainda casos de pessoas que consomem grandes quantidades de alimentos de forma impulsiva e rapidamente. Logo depois, ficam deprimidas e se sentem culpadas. Nesses casos, pode-se ter o transtorno da compulsão alimentar.

Segundo Mônica Beyruti, nutricionista da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), comer demais se torna um transtorno quando o comportamento foge do controle. “Geralmente, ocorre quando o indivíduo passa a se alimentar com mais frequência do que o necessário, mesmo não sentindo fome. Ele continua comendo após se sentir saciado. Também evita comer na frente de outras pessoas por vergonha”, completa.

A pessoa com compulsão alimentar precisa de diversos tratamentos e acompanhamento constante. Geralmente, é necessário se consultar com psicólogos ou psiquiatras, nutricionistas e, em alguns casos, usar medicação.

Publicado em VivaBem, no dia 18 de setembro de 2021. Reprodução.

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